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ANSIEDADE – O TEMOR ANTECIPADO

Quando todas as coisas boas da vida se tornam motivo de preocupação, é sinal de que algo está errado. Entenda o que é a ansiedade e aprenda a conviver com esse sentimento, que é mais comum e antigo do que você imagina. Ansiedade é o sentimento típico de quem vive no futuro, se preocupando com as coisas que ainda vão acontecer.

Dá para conviver com a ansiedade pacificamente. E é isso que fazer a diferença, pois nem tudo precisa ser motivo de preocupação constante. Segundo pesquisa internacional voltada ao estresse, oito em cada 10 trabalhadores apresentam algum sintoma de ansiedade ao longo da carreira. Em algum momento da vida, você deve ter sentido a sensação de que não vai dar conta das coisas. E não existe quem nunca tenha sofrido com a ansiedade.

Ansiedade não é doença. E ela faz parte do nosso sistema de defesa. Mas será que você consegue realmente explicar o que é ansiedade? O termo é recente, com aproximadamente 100 anos de idade. O primeiro que falou em ansiedade da maneira como a conhecemos foi Sigmund Freud. No fim do século 19, porém com uma definição bem complexa: “ansiedade é o medo de algo incerto, sem objeto”.

O significado mais utilizado e de fácil compreensão atualmente é:

“Um estado emocional com a qualidade do medo, desagradável, dirigido para o futuro, desproporcional e com desconforto subjetivo”.

Resumindo, a ansiedade é um sentimento desagradável e projetado para o futuro. A pessoa ansiosa vive num estado de alerta constante por causa de uma situação que pode acontecer, e causar sofrimento. Como por exemplo ter que querer falar com um rapaz atraente, mas tem medo de ser rejeitado. A crise interna que se sente nesse momento, em que não sabe se deve ir ou ficar na vontade, é a ansiedade.

O medo e a ansiedade podem ser confundido muitas vezes. A diferença entre as duas sensações está na distância do perigo. Na ansiedade, o motivo de preocupação está no futuro. No medo, a ameaça está próxima. Quem teme constantemente ser assaltado na rua, vive num estado ansioso. Contudo, no momento do assalto, a pessoa sente medo.

Tendência para Ansiedade

O que influencia, e muito, a ansiedade é nossa maneira de pensar. Segundo Thiago Sampaio, psicólogo membro da Associação dos Portadores de Transtornos de Ansiedade (Aporta):

“Se a pessoa é muito catastrófica e imagina o tempo inteiro que as coisas vão dar errado, ela sofre mais com a ansiedade”.

Imagine uma mulher que está sozinha em casa e ouve um barulho na porta de entrada. Em vez de lembrar que é seu filho voltando da escola, ela supõe que são ladrões tentando invadir sua casa, e começa a sentir ansiedade. Se tivesse pensado que poderia ser simplesmente o filho, ela não teria sofrido nenhum desconforto. Por mais que essa linha de pensamento seja irracional e automática. Mas é algo que podemos aprender a controlar, sozinhos ou com a ajuda de terapia.

Por que meu amigo é tão tranqüilo e eu vivo em estado de preocupação? A resposta pode estar nas experiências de vida de cada um. As experiências, traumatizantes ou não, que cada pessoa teve influência muito. Um homem que já foi assaltado no trânsito por um motoqueiro pode sentir desconforto toda vez que algum motoboy se aproxime do carro dele. Mesmo que isso não represente ameaça alguma.

Há outro ponto gerador de ansiedade é ser mulher. Mulheres costumam sofrer mais com transtornos de ansiedade do que homens por dois motivos. O primeiro é hormonal. De acordo com Valentim Gentil, professor da USP e Ph.D. em psiquiatria pela Universidade de Londres: “A mulher não produz hormônios regularmente como o homem. No período pré-menstrual, por exemplo, o cérebro dela fica privado de duas substâncias calmantes e antidepressivas, que são o estrógeno e a progesterona. Essa produção inconstante causa a TPM e a deixa mais vulnerável aos transtornos ansiosos”. O segundo motivo é social. Para as mulheres, é natural expressar os sentimentos. Elas são educadas desde pequenas a externalizar sensações normalmente.

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Ansiedade na Atualidade

Saber lidar com as preocupações se tornou uma característica desejada. Pois a ansiedade tem sido um problema no mundo moderno. Ela tem atrapalhado as relações pessoais, a competência no trabalho e todo tipo de situação delicada. Christian Perring, professor de filosofia da Universidade Dowling em Nova York diz:

“Enquanto que na antiguidade, a ansiedade surgia de fatores externos, como doenças e catástrofes naturais, a dos nossos tempos é imposta por nós mesmos. Podemos até chamá-la de ansiedade neurótica”.

Os fatores que mais causam preocupação atualmente são coisas muito menos tangíveis, como satisfação no emprego, realização amorosa, visual perfeito. Como nossos antepassados ainda estavam ocupados em sobreviver, dificilmente tinham as crises e neuroses que temos agora. De fato, boa parte das nossas apreensões vem das milhares de possibilidades de escolha que temos hoje em dia.

Informação que Absorvemos

Mas, se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação. Sim, são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por e-mail, Whatsapp ou vê na TV. Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, ataques terroristas, acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. Parece ser um mundo muito assustador para viver. O problema é que muitos não sabem como lidar com essa grande quantidade de informação. E muito menos aprenderam a filtrar.

Além disso, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo. Segundo o filósofo Perring:

“Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e com baixa autoestima”.

Ou seja, funcionamos na base da comparação. Se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você não vai se sentir pior do que ninguém. Mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica, bonita, feliz e bem sucedida, você pode se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie.

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Ansiedade no Corpo

Essas preocupações, pequenas ou grandes, afetam o cérebro e o corpo, e muitas vezes podem até virar doença. Basta pensar nas reações físicas que sentimos quando estamos muito ansiosos. Falta de ar, taquicardia, boca seca, tremedeira, sudorese. Sem falar nos problemas psicológicos. Insônia, insegurança, irritabilidade, tristeza. São mais de 30 sintomas que podem se manifestar.

Quando estamos preocupados, aquelas partes do cérebro responsáveis pela sensação de medo e de ansiedade, interpretam que o corpo está correndo perigo. Liberam hormônios, principalmente a adrenalina e os glucocorticóides, que aumentam o batimento cardíaco e a respiração (daí vem a taquicardia e a falta de ar), inibem o sistema digestivo (boca seca) e trabalham para evitar o aquecimento excessivo do corpo (suor). Em suma, preparam o corpo para lutar ou fugir. Acontece que na ansiedade o perigo não é iminente, porque está projetado no futuro. Muitas vezes nem há ameaça concreta. E o corpo fica alterado à toa.

A ansiedade se torna patológica quando começa a atrapalhar a vida do paciente. Quando isso acontece, pode ser sinal de transtorno. No Brasil, estima-se que 23% da população tenha algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida. São eles: a síndrome do pânico, o estresse pós-traumático, as fobias, o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno de ansiedade generalizada. Parece assustador, mas a boa notícia é que todos têm cura. Aliás, todo tipo de ansiedade pode ser melhorado.

Tratamento

Existem muitas formas para tratar a ansiedade. Porém irei abordar três formas de tratamento focadas na melhora da ansiedade. O primeiro, é com o psicólogo. Dependendo do nível de ansiedade, com a psicoterapia é possível trabalhar os problemas ansiosos. O atendimento psicológico é trabalhoso e pode levar tempo, mas é o mais adequado quando falamos em combater a origem do problema. Caso o nível ansiedade seja elevado, e esteja causando prejuízo significativo na vida do sujeito, o melhor é a segunda forma, o tratamento combinado. Tratamento combinado é a utilização de duas terapêuticas. Utilização de fármacos (ansiolíticos) prescrito por um psiquiatra, com a psicoterapia realizada por um psicólogo. E a terceira forma, sem dúvidas a menos indicada, é tomar somente os medicamentos para o controle da ansiedade.

Os remédios podem até ajudar o cérebro a não se preocupar demais. Mas não adiantam nada se a pessoa continuar pensando catastroficamente. Lembre-se, boa parte da nossa ansiedade vem dos nossos pensamentos. Ou a nível inconsciente, da má elaboração de conflitos passados. Por isso, recomenda-se que os medicamentos sejam tomados juntamente com sessões de terapia, para reelaboração das suas conflitivas. A ansiedade é como uma febre, é um sintoma de que algo está errado. Se simplesmente tratarmos a febre, podemos ignorar o real problema, e isso é perigoso. O grande desafio é descobrir os motivos da inquietação.

Na maioria dos casos, a ansiedade diminui quando há se lida diretamente com o problema e se dá um novo, e adequado, significado. Ou seja, se a dificuldade estiver no futuro e distante, a inquietação não vai passar. O enfrentamento do problema, investigação da origem e uma boa elaboração dos conflitos podem ser trabalhado por um psicólogo de orientação psicanalítica.

E neste ponto, o psicólogo é um especialista. O profissional de psicologia, com o paciente, irá buscar a compreensão do funcionamento psíquico. E aprendendo como se dá este funcionamento, com o tempo, é possível trabalhar a origem da ansiedade. E não somente isso, desenvolver no paciente uma forma mais saudável de encarar qualquer problema em sua vida, e assim, alcançar o bem-estar.

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