automutilação

AUTOMUTILAÇÃO – CORTANDO A DOR

Um grande erro sobre a automutilação é acreditar que essa doença se trata de chamar atenção. Isso porque normalmente a área escolhida para ser afetada é fácil de esconder com roupas ou acessórios. Pessoas que cortam o pulso, por exemplo, costumam usar pulseiras ou mangas compridas para disfarçar as feridas. As que ferem as coxas ou a barriga a mesma coisa.

E quando essas áreas ficam aparentes, há uma grande atividade para esconder os danos. Seja com maquiagem ou adotando uma posição que disfarce o ocorrido. Se a intenção fosse chamar atenção, por que não fazer em um local mais aparente, ou deixar que seja vista a ferida? O auto-mutilador teme que suas ações sejam descobertas por dois motivos. Para não ser criticado por seus atos visto que dificilmente eles são compreendidos. E para poder continuar praticando a mutilação a si mesmo.

Dessa forma, esconder as feridas, faz a pessoa se privar de atividades que envolvam a exibição de seu corpo.  E aquela cena de filme que se passa na cabeça das pessoas de jovens sentados se cortando juntos é bastante fora da realidade. Quando um automutilador descobre que alguém está praticando o mesmo ato, costuma tentar prestar ajuda. E deseja que a pessoa pare com esse comportamento, por saber que é nocivo.

Porque é realizada a automutilação?

Para as pessoas com o emocional estável pode ser difícil de compreender ou assimilar que alguém pode ferir a si mesmo achando que está fazendo o bem, mas é isso que ocorre.

O perfil do automutilador, geralmente, é a pessoa emocionalmente abalada, que passou por algum trauma. Que sofre muita pressão ou passou por alguma grande rejeição na vida. Essas pessoas costumam ter dificuldade de se expressar verbalmente. De se relacionar com as pessoas, além de possuírem baixa autoestima. A automutilação nesses casos vem como um alívio emocional momentâneo. É uma forma de escapar da intensa dor emocional que acompanha a pessoa o tempo todo em sua vida e vivenciar por um tempo apenas a dor física.

Sim, por mais estranho que possa parecer, a dor física nesse momento parece um alívio. Pois distrai e leva embora por alguns segundos aquela dor emocional tão intensa e insuportável que acompanha a pessoa o tempo todo. Se ainda está difícil de entender, imagine aquelas pessoas que vivem com uma condição física ou ferida que doem o tempo todo. Com o tempo, essas pessoas tendem a viciar em analgésicos, pois livra a dor por alguns momentos. A situação com a pessoa que se automutila é a mesma. Mas ela se utiliza da dor física para conseguir alguns segundos de liberdade da dor emocional. Sendo que não existe um analgésico para dor emocional.

automutilação

O que fazer?

A pessoa que se automutila está claramente em grande sofrimento, e é assim que deve ser vista e tratada. É ideal aproximar-se da pessoa com delicadeza, com uma fala delicada e compreensiva. Para fazê-la entender que precisa buscar ajuda. O apoio e compreensão dos amigos e familiares nesse momento são bastante importantes.

O profissional que atende essa pessoa deve ter um olhar delicado e ajudar o paciente a encontrar outras maneiras de lidar com esse sofrimento, além de compreendê-lo. Por isso a psicoterapia é indispensável nesses casos. O acompanhamento de um psiquiatra também pode vir a ser necessário.

Por mais que essa pessoa precise de atenção, de uma atenção empática e delicada, o objetivo inicial dela ao se ferir nunca foi o de receber atenção. Mas sim de lidar com um sofrimento intenso. Sofrimento esse que pode intensificar se sua atitude é incompreendida e tomada como banal. Por isso é importante tomar conhecimento da gravidade e delicadeza do assunto. Para não reproduzir o tipo de discurso leigo e prejudicial. Se há um pedido de atenção na automutilação, é o pedido silencioso de socorro de uma pessoa em sofrimento intenso.

Causas

“A adolescência é uma época muito difícil, cheia de dúvidas, medos e angústias. Ferir-se pode ser um modo de aliviar a tristeza e a dor emocional. Há jovens que buscam esse alívio nas drogas, nos games, no sexo, e outros na automutilação”

Quando há um episódio de automutilação, há sempre fatores que acabaram desencadeando a crise. Como rejeição social, perdas, problemas em casa, medo, raiva, entre outros sentimentos e situações.

As causas são multifatoriais, como insegurança, baixa autoestima, impulsividade, problemas na infância (negligência, abuso, estresse), dificuldades sociais (bullying), problemas familiares (pais divorciados ou ausentes), violência doméstica, entre outros. Por outro lado, a automutilação também é um dos critérios para diagnóstico de transtornos psiquiátricos, como transtorno boderline e depressão.

O acompanhamento com psicoterapia é essencial para ajudar estes jovens a darem nome às suas emoções. E a identificarem formas saudáveis e adequadas de lidar com os seus problemas e angústias. Além de aumentarem a autoestima e aprenderem a gostar de si mesmos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 pensamentos em “AUTOMUTILAÇÃO – CORTANDO A DOR”