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PROBLEMAS COM AUTOIMAGEM

Estava atendendo uma adolescente no consultório quando ela comentou que se achava feia. Havia claramente problemas sobre sua autoimagem. Todo mundo já disse ou ouviu isso de uma mulher, então seu relato não me pegou de surpresa. De acordo com ela, ser gorda e baixinha a tornavam menos atraente que as colegas da escola. E também, que nenhum menino se interessava por ela.

Enquanto falava, eu a observei. Ela era uma menina ainda, com um belo sorriso, cabelos longos, simpática, divertida e com um corpo ainda em formação. Para mim, não havia nada de feio ou errado. Era uma adolescente muito bonita.

Isso me fez pensar o que acontecia quando eu era adolescente. O modelo de beleza na época era representado por atores e modelos de TV e jornais. Altos, fortes, pele bronzeada, ostentando riquezas e com cabelos estilosos. Basicamente tudo o que eu não era. Então me sentia feio. Com essa autoimagem distorcida, sofri durante muitos anos.

As pessoas, e principalmente, as mulheres são bombardeadas pelo modelo ideal e o que devem fazer para buscá-lo. Existem pessoas que se endividam, porque gastam o que não têm em academias, suplementos, procedimentos estéticos, idas constantes a salões de beleza, etc. Além disso, são tomadas de grande incerteza e insatisfação com quem são. E como não ficar? Cada olhada no espelho é um lembrete de quão imperfeita se é.

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Quando a mídia apresenta possibilidades de ser como essas mulheres ou homens, a finalidade não fica clara. Na maioria das vezes, não se trata de saúde, nem de qualidade de vida. Mas sim da perseguição de um ideal. O problema com essa perspectiva é que ela muda o tempo todo e que qualquer um fora dela é inadequado. As meninas que eram consideradas lindas quando eu era adolescente, não são mais. Talvez se achem gordas ou bronzeadas demais. Daqui há cinco anos, talvez o padrão mude e as meninas que hoje são lindas, serão feias.

Voltando a minha paciente, começamos a problematizar esse modelo que perseguia e abordamos como poderia se reconhecer fora dele. Por que o seu sorriso era feio por ser diferente? Por que ela tinha que embranquecer, se não havia nada de errado com sua pele? Por que ela tinha que emagrecer se não tinha nenhum problema de saúde? Não foi um trabalho de um dia só, mas aos poucos ela foi se reconhecendo enquanto uma bela adolescente. Com características únicas, com traços perfeitos por serem diferentes de qualquer um.

Dentro de nós, é importante construir uma autoimagem a partir de quem somos. Sei que não é um exercício simples, mas há muito mais do que nos é apresentado. Se você não conseguir fazer isso sozinho, procure auxílio. Muitas vezes, nossos olhos estão “bloqueados” por crenças construídas a partir de uma realidade doentia. E isto acaba causando problemas com a autoimagem em milhões de pessoas no mundo.

Investir em tratamentos, academia ou dietas, com qual objetivo? Estar mais feliz e confortável consigo? Estar mais saudável? Ou estar dentro do padrão de beleza vendido pela mídia? Se for pelo último motivo, aconselho sinceramente que o abandone. Seja como quiser, te torne feliz e saudável. A beleza da vida é saber conviver com as diferenças dos outros, mas também com as suas. Pensamos muito no que o outro vai pensar sobre nós. Ao ponto de ignorarmos o que é importante de verdade. Se isso envolver uns quilinhos ou outras coisas, quem se importa?

 

Fonte: fasdapsicanalise

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